ATUALIZAÇÕES SOBRE ANQUILOGLOSSIA (LÍNGUA PRESA)
- Equipe Dra. Eliane Garcia

- 9 de jun.
- 2 min de leitura

Em janeiro, aconteceu o Tongue Time 2026, um dos principais congressos mundiais sobre anquiloglossia, mais conhecida como língua presa. Nesse encontro, especialistas do mundo todo discutiram as novidades sobre diagnóstico, avaliação e tratamento dessa condição.
Uma das mensagens mais importantes foi: a língua presa não deve ser avaliada apenas pelo tamanho ou aparência do freio da língua.
Hoje, entendemos que a anquiloglossia pode ser uma condição funcional, ou seja, ela pode interferir na forma como a criança mama, engole, respira, dorme, se alimenta e se desenvolve.
A língua participa de funções muito importantes no crescimento infantil. Quando ela não consegue se movimentar bem, podem surgir dificuldades em diferentes áreas, como:
Amamentação;
Pega correta no peito;
Deglutição;
Alimentação;
Sono;
Respiração;
Crescimento da face e dos maxilares;
Postura;
Fala;
Desenvolvimento neurofuncional.
Por isso, avaliar a língua presa vai muito além de apenas “olhar o freio” ou medir se ele é curto. É preciso observar como essa língua funciona no dia a dia da criança.
Uma boa avaliação deve considerar como o bebê ou a criança mama, respira, engole, se movimenta, se posiciona e se adapta. Também é importante observar se existem tensões no corpo, alterações posturais ou restrições musculares e fasciais que possam estar influenciando esse funcionamento.
Outro ponto muito importante é que o tratamento não deve ser feito de forma isolada. Muitas vezes, o melhor resultado acontece quando há uma equipe trabalhando em conjunto, como odontopediatra, fonoaudiólogo, consultora de amamentação, fisioterapeuta, osteopata, pediatra e outros profissionais, quando necessário.
A simples liberação do freio, sozinha, nem sempre resolve todos os problemas.
Para que o resultado seja mais seguro e eficiente, pode ser necessário preparar a criança antes do procedimento, ajustar a amamentação, trabalhar tensões no corpo, orientar exercícios funcionais e acompanhar a evolução depois.
Ou seja: liberar o freio é apenas uma parte do processo. O mais importante é ajudar a língua a funcionar melhor.
Quando olhamos apenas para a anatomia, podemos deixar passar sinais importantes. Mas quando avaliamos a criança como um todo, conseguimos entender melhor as compensações que ela criou e conduzir o tratamento com mais precisão.
O verdadeiro cuidado está em enxergar além da língua.
Está em compreender que a boca, a respiração, o sono, a postura, a alimentação e o crescimento da face estão conectados.
Língua presa não é apenas sobre cortar ou não cortar o freio.
É sobre avaliar, compreender, preparar, tratar e acompanhar a criança de forma completa.






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